20 Anos de Arquivo X – Parte 3

Posted: September 4, 2013 in tudo o que eu amo
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Para ler a Parte 2, clique aqui.

Governo Nega ter Conhecimento

A ação de “Arquivo X” começa em 6 de março de 1992, quando a agente Dana Scully se encontra com Fox Mulder pela primeira vez. Enquanto Scully recebe suas ordens para supervisionar Mulder em uma reunião com a chefia, um homem observa silenciosamente ao fundo. Mais tarde, o público vai reconhecer o observador como um dos vilões da série, o Canceroso (The Cigarette Smoking Man). A cena também estabelece que aqueles que comandam a conspiração estão no controle desde o início, a ponto de orquestrarem o encontro de Mulder e Scully. A função inicial de Scully nos Arquivos X é fornecer relatórios periódicos sobre o trabalho de Mulder, usando seu conhecimento científico para desacreditar as suas teorias. “Eu tenho a impressão de que você foi enviada aqui para me espionar”, afirma ele secamente.

A escalação de Gillian Anderson foi um golpe de sorte e um ato de enorme instinto de Chris Carter. Inicialmente indesejada pelos executivos do canal que queriam uma loira alta e sexy no estilo Pamela Anderson, estrela de “S.O.S. Malibu”, para o papel, Gillian foi também considerada muito jovem. Embora sem nenhum grande sucesso passado no bolso, Carter conhecia o jogo o suficiente para mentir quanto à idade dela e garantir sua escalação. Scully se tornaria o elemento principal e decisivo para a mitologia da série. É quando Mulder explica à nova colega a existência dos Arquivos X e o que isso representa para ele que aprendemos um pouco mais sobre o estranho departamento do FBI. O mesmo método de narração nos apresenta ao rapto de Samantha. Scully presta atenção nas palavras de seu colega, assimilando fatos para mais tarde ela própria se tornar a guia do público para o universo da série e a voz de Carter, que muitas vezes declarou escrever seus roteiros a partir do olhar da agente.

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Desde o piloto, Carter e seus roteiristas estabeleceram também uma inesperada inversão de papéis, com um homem mais emocional e uma mulher mais racional. Durante os primeiros anos da série essa dicotomia entre os dois, o crédulo e a cética, seria desafiada e até mesmo invertida algumas vezes. A primeira delas em “O Vidente”, episódio da primeira temporada em que a morte do pai torna Scully mais aberta ao sobrenatural quando um assassino condenado à morte afirma receber mensagens do além, enquanto Mulder está convencido de que ele é apenas um farsante. Na quinta temporada, novamente os papéis se invertem: enquanto Scully se torna uma crédula quase ao extremo, Mulder praticamente abandona a sua crença em alienígenas. “Eu acho que nem acredito mais nisso”, desabafa o agente.

Segundo Chris Carter, Mulder e Scully são duas partes dele mesmo, a que quer acreditar e a que acha impossível acreditar. O relacionamento entre os dois tornou-se tão interessante para o público quanto a busca pela verdade sobre Samantha e toda a conspiração envolvendo os extraterrestres. Ciente do valor da tensão sexual, Carter levou a distância entre os dois ao extremo, a ponto da dupla poucas vezes ter usado o primeiro nome um do outro. Carter não queria que o interesse pelos temas abordados ficasse diluído por conta de um romance entre os dois agentes. “Desde o princípio, Chris insistiu que o programa não seria uma repetição de A Gata e o Rato”, observou Bob Greenblatt, chefe de programação do canal Fox na época.

Na foto abaixo, Mulder e Scully em ação no episódio Piloto. “Arquivo X” também foi bem sucedido em construir uma personagem feminina forte, mas não masculinizada. Ao longo da série Scully seria definida como um novo objeto de adoração, o símbolo sexual que pensa. Outro golpe de sorte para a produção foi a química perfeita entre David Duchovny e Gillian Anderson.

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Um dos momentos que definiriam esse posicionamento do criador da série contrário ao romance entre eles é quando Scully, assustada e usando somente peças íntimas cobertas por um penhoar, invade o quarto de Mulder no hotel, no Oregon. Ela pede que Mulder examine sua região lombar onde detectou estranhas marcas semelhantes aquelas encontradas nos adolescentes que morreram. “Mordida de inseto”, diz Mulder, com certa indiferença após examinar o corpo de sua parceira e antes de receber um abraço de alívio de Scully.

Em seguida, os dois conversam longamente, e Mulder confessa que a única razão pela qual os conspiradores não o eliminaram ainda é porque ele tem contatos no Congresso. “Você é parte disso. Você sabe”, acusa ele. “Eu não sou parte de nada. Você precisa confiar em mim. Estou aqui pelos mesmos motivos que você”, retruca Scully. Mulder conta sobre a abdução de sua irmã Samantha, a regressão hipnótica a que se submeteu para relembrar o acontecido e do quanto isso o motivou a reabrir os Arquivos X. Nascia ali uma relação de amizade e cumplicidade que faria Scully rever seus conceitos sobre seu parceiro e aos poucos se voltar contra aqueles que a enviaram somente para o espionar e desacreditar o trabalho dele.

A Verdade está em Vancouver

Do ponto de vista logístico, tanto a produtora de Carter, a Ten Thirteen, quanto a Fox tinham planejado produzir o programa em Los Angeles, mas esbarraram na impossibilidade de achar uma locação ao ar livre para as cenas de sequestro alienígena que se passavam em uma floresta. A solução foi filmar em Vancouver, “onde estão as boas florestas”, além de representar uma economia de dinheiro em comparação com os custos de produção em Los Angeles, a vantagem de ter um visual semelhante a qualquer cidade dos Estados Unidos e uma variedade de cenários para as mais diversas locações. Devido ao atraso na produção de “Arquivo X”, as melhores equipes de Vancouver já haviam sido contratadas para outras produções, o que deixou os produtores sem muitas opções, além de certas animosidades entre os profissionais locais e os produtores da série. Carter pessoalmente contratou seu amigo Robert Mandel para dirigir o Piloto, cujas filmagens começaram em março de 1993.

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A primeira cena filmada foi justamente aquela em que Scully desce ao porão do FBI para conhecer seu novo parceiro. “Não há ninguém aqui embaixo além dos menos procurados pelo FBI”, resmunga Mulder. Devido aos prazos apertados, os atores não tiveram tempo de ensaiar a cena além da leitura prévia do roteiro. Carter temia que qualquer falha pudesse colocar em risco todo o restante das filmagens, o que não aconteceu porque David Duchovny e Gillian Anderson se entenderam perfeitamente bem desde o primeiro instante. Veja ou reveja como foi o primeiro encontro entre Dana Scully e Fox Mulder, em 6 de março de 1992:

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As filmagens duraram duas semanas, deixando na equipe a expectativa de que o seriado vingasse e eles tivessem trabalho por cerca de um ano. Centenas de episódios pilotos são produzidos anualmente a cada nova temporada nos Estados Unidos, mas pouco mais de uma dezena deles consegue dar origem a uma série completa. O processo de pós-produção, que compreende a colocação da música, efeitos sonoros e edição, só foi completado em maio, alguns dias antes da primeira exibição teste para os executivos do canal Fox. “A exibição foi um sucesso”, lembrou Greenblatt. Os chefes do estúdio ficaram entusiasmados com o episódio, mas mesmo assim ainda acreditavam que o western “As Aventuras de Brisco County Jr.” faria mais sucesso que “Arquivo X”, e por isso colocaram ambos na noite de sexta-feira, com “Arquivo X” sendo exibido após o seriado estrelado por Bruce Campbell.

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O público deu sua primeira espiada nos Arquivos X na noite e 10 de setembro de 1993. A história sobre um grupo de adolescentes sequestrados por alienígenas em uma cidadezinha no Oregon começava com o aviso de que “esta história se baseia em fatos documentados”. Scully é vista entrando no prédio central do FBI em Washington para uma reunião com o chefe de seção Blevins, que a informa sobre sua função nos Arquivos X: escrever relatórios sobre as investigações do agente Mulder. Estão presentes um agente mais velho e o Canceroso. Scully se mostra muito bem informada sobre seu novo parceiro, inclusive o apelido que ele recebeu na Academia, “Spooky” (Assombrado). Quando ela vai ao porão, onde fica o escritório de Mulder, ele também se mostra muito bem informado sobre sua nova parceira, citando inclusive a sua tese “O Paradoxo dos Gêmeos de Einstein, Uma Nova Interpretação”. Segundo ele, na maior parte do seu trabalho “as leis da física quase nunca se aplicam”.

O episódio Piloto se encerra com Scully entregando ao chefe Blevins a única evidência física que escapou do incêndio no hotel: o implante metálico de origem desconhecida, o que em parte credencia a permanência de Mulder a frente dos Arquivos X, mesmo contra a vontade de seus superiores. Naquela noite, Mulder telefona para Scully (exatamente às 11:21, um horário simbólico que seria repetido muitas vezes ao longo das temporadas, uma homenagem de Chris Carter ao aniversário de sua esposa, Doris, 21 de novembro) para dizer que todas as provas relativas ao caso que investigaram desapareceram. “Precisamos conversar, Scully”, diz Mulder. “Sim… Amanhã”, responde ela, e desliga.

O Canceroso (The Cigarette Smoking Man, vivido por William B. Davis) é visto em três momentos no Piloto: encostado em um canto do escritório do chefe de seção Blevins, durante a sessão de hipnose de Billy Myers e depois na última cena, quando guarda o implante metálico entregue por Scully em um armazém do Pentágono. A intenção de Carter era fazer dele um personagem misterioso e sem falas, mas com o tempo ele acabou ganhando vida própria e se tornando o principal vilão da série.

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Uma das muitas batalhas em torno do seriado foram seus finais em aberto, que deixavam mais dúvidas do que respostas, além do conteúdo científico de muitos episódios considerado complicado para o público acompanhar. Carter recordou depois algumas brigas que teve por conta da insistência dos executivos em impor um final mais explícito que fizesse tudo ter sentido. “Não é preciso fazer sentido! Trate você mesmo de encontrar o sentido”, resmungou o criador da série. Apesar disso, Carter chegou a um resultado conciliatório utilizando um recurso bastante simples – uma narração de Scully enquanto escrevia seus relatórios no final de alguns episódios, “proporcionando um encerramento a um caso não encerrado”, segundo Carter, “e acho que na verdade isso melhorou a série”. Esse recurso foi utilizado logo no primeiro episódio regular, “A Verdade Está lá Fora” (Deep Throat), e seria repetido em muitos outros episódios do primeiro ano de produção, como uma espécie de marca registrada.

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Um dos fatores decisivos desse sucesso foi a enorme repercussão do terceiro episódio da temporada, “Assassino Imortal”(Squeeze), sobre Eugene Victor Tooms (interpretado por Dough Hutchinson), um mutante genético capaz de distender seu corpo e que se alimentava de fígado humano, que provou que o seriado poderia fugir do esquema “alienígena da semana” para enveredar por outros temas. Eugene Tooms, por exemplo, fez tanto sucesso que o personagem retornou alguns episódios mais tarde para se vingar de Mulder pela perseguição que sofreu, em “Eugene Tooms Volta a Atacar” (Tooms). Ele acaba sendo encurralado pelo agente e esmagado pelas engrenagens da escada rolante de um shopping. O personagem foi criado pelos roteiristas Glen Morgan e James Wong a partir da ideia de alguém ou algo pudesse entrar em sua sala através do duto do aparelho de ar condicionado.

Para o segundo episódio envolvendo Tooms, o ponto de partida foi quando Glen Morgan saiu para fazer compras de natal em um shopping e viu o pessoal da manutenção trabalhando em uma escada rolante que estava aberta, mostrando todo o seu mecanismo. Isso o levou a imaginar a existência de um mito urbano provocado por algum tipo de monstro escondido sob uma escada rolante. O episódio “Eugene Tooms Volta a Atacar” foi o primeiro em que apareceu o diretor assistente Walter Skinner, interpretado por Mitch Pileggi, que só voltaria a ser visto de novo na temporada seguinte. O episódio “Eugene Tooms Volta a Atacar” também ficou marcado como sendo aquele em que o Canceroso tem a sua primeira fala. Ao ler o relatório de Mulder sobre o caso, Skinner pergunta se ele acredita no que Mulder escreveu. “É claro que eu acredito”, resmunga o Canceroso.

O maior desafio para o ator que interpretou o mutante genético Eugene Tooms foi arrastar-se pelo cenário completamente nu e com o corpo todo coberto por glicose de milho e corantes artificiais.

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As primeiras críticas foram altamente favoráveis, mas “Arquivo X” demorou semanas até começar a criar seu próprio público. Aos poucos, os executivos do canal perceberam que apostaram suas fichas no seriado errado. Ao contrário de “Brisco County”, “Arquivo X” chamava muito mais a atenção das redes de TV estrangeiras que compravam o programa para exibi-los em seus país de origem do que qualquer outro da sua grade de programação da Fox. O próprio presidente do canal, Sandy Grushow, reconheceu que cometeu um erro de avaliação com relação a “Arquivo X”, tratando rapidamente de reparar o erro investindo em campanhas de publicidade.

Para o sucesso de “Arquivo X” logo em sua primeira temporada, muito contribuiu a equipe de roteiristas contratados para escrever os episódios com temas dos mais diversos, entre eles Glen Morgan e James Wong, que trabalharam em “Anjos da Lei” e “O Homem da Máfia”, e os supervisores de produção Howard Gordon e Alex Gansa, cujos créditos incluem a aclamada série “A Bela e a Fera”, da CBS. Carter, Morgan e Wong juntos foram responsáveis por 20 dos 24 episódios da primeira temporada, conseguindo se desvencilhar das raízes alienígenas para incluir outros perigos. Além do mutante Eugene Tooms, há computadores pensantes (O Fantasma da Máquina), clones malignos (Projeto Litchfield), psicopatas com poderes psíquicos (O Incendiário), poltergeists (Sombras), bestas humanas (O Demônio de Jersey) e parasitas mortais (Terror no Gelo), entre outros temas.

Na foto abaixo, Mulder e Scully ficam presos em uma estação de pesquisas no Ártico, onde descobrem que os membros da equipe estão infectados por um parasita capaz de dominar seu hospedeiro e levá-lo à morte. O tenso e claustrofóbico “Terror no Gelo” buscou inspiração no clássico sci-fi “O Enigma do Outro Mundo” e foi um dos melhores episódios da primeira temporada que não envolveu extraterrestres.

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Dos episódios envolvendo alienígenas, pelo menos três foram muito importantes para definir os rumos do seriado no que dizia respeito à interferência do governo para que a verdade sobre a existência de vida fora da Terra não viesse ao conhecimento público e o interesse pessoal de Mulder em revelar essa verdade. Em “Elo de Ligação” (Conduit) o desaparecimento de uma menina aparentemente sequestrada por alienígenas cria um vínculo psíquico com o irmão mais novo dela, fazendo com que Mulder volte a enfrentar seus sentimentos em relação à abdução de sua irmã Samantha. Ao ouvir as fitas com a gravação da terapia de regressão hipnótica feita por Mulder, Scully conhece um pouco mais sobre o drama que aflige seu parceiro por quase duas décadas.

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“Caçada Sangrenta” (Fallen Angel) mostra a busca dos agentes por um OVNI que caiu perto de uma floresta e cujo ocupante teria sobrevivido à queda e agora está sendo perseguido pelos militares. Ao ser preso depois de invadir o perímetro estabelecido pelos militares, o agente conhece Max Fenig (Scott Bellis), membro de uma organização não governamental que investiga fenômenos extraterrestres (a NICAP). Max acabaria sendo abduzido diante de Mulder e só retornaria no episódio duplo da quinta temporada “Lapso de Tempo”. Por intervenção de Garganta Profunda, uma comissão da agência decide arquivar um processo para demitir Mulder. O episódio mais importante, porém, foi “O Ser do Espaço” (E.B.E.) onde somos apresentados aos Pistoleiros Solitários e onde Garganta Profunda confessa que ele mesmo cumpriu uma ordem internacional de execução de uma entidade biológica extraterrestre (EBE) capturada.

Além do mutante de corpo elástico e comedor de fígado humano Eugene Tooms, os roteiristas Glen Morgan e James Wong criaram os Pistoleiros Solitários e o diretor assistente Walter Skinner, que acabaram se tornando personagens importantes. A expressão Pistoleiro Solitário representa a mãe de todas as conspirações, que afirma que havia um segundo atirador, o responsável pelo tiro que assassinou o presidente John F. Kennedy.

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Glen Morgan e James Wong criaram os Pistoleiros Solitários Byers, Langley e Frohike a partir de um grupo de pessoas que Morgan lembrava ter visto vestidas de maneira semelhante aos personagens durante uma convenção. Eles estavam tentando convencer as pessoas de suas paranoias, uma delas dizendo respeito às fitas magnéticas nas notas de dólares. Em alguns minutos já havia pessoas rasgando notas de dólares, de forma semelhante a que Byers faz no episódio. Criados a princípio para dar um contraponto cômico ao episódio, os Pistoleiros Solitários já tinham sido descartados pelos roteiristas, que não ficaram muito felizes com o resultado, quando reações favoráveis do público através da Internet acabou fazendo com que fossem trazidos de volta na temporada seguinte.

Marcada por bons e maus episódios, a primeira temporada foi encerrada com chave de ouro na noite de 13 de maio de 1994, com “Jogo de Gato e Rato”, que deixou o seriado na modesta 110ª posição de uma lista de 132 séries apresentadas no mesmo horário, mas com uma premissa excelente para a temporada seguinte. O episódio criou um importante “gancho” ao atiçar a expectativa dos fãs por conta do assassinato de Garganta Profunda, do fechamento dos Arquivos X e da separação dos dois agentes, remanejados para outras funções no FBI. Uma solução criada às pressas pelos roteiristas para lidar com um imprevisto de última hora e a única coisa que poderia colocar tudo a perder na segunda temporada: a gravidez inesperada de Gillian Anderson.

Gillian Anderson visivelmente grávida no último episódio da primeira temporada, “Jogo de Gato e Rato”, que marcou também a despedida do ator Jerry Hardin, o Garganta Profunda, assassinado em uma queima de arquivo ao tentar salvar a vida de Mulder, sequestrado por agentes conspiradores. Graças à sua ajuda, Scully consegue se apoderar do tecido alienígena original para trocá-lo por seu parceiro.

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Continua no próximo post…

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