20 Anos de Arquivo X – Parte 6

Posted: September 7, 2013 in tudo o que eu amo
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Em Busca da Verdade

Grande parte do sucesso de “Arquivo X” eram as histórias de ficção baseadas em ciência sólida, e mesmo aquelas que não eram geradas como tal, foram construídas sobre fundamentos científicos convencionais. Como Chris Carter certa vez comentou, ele escrevia os roteiros para o seriado a partir da visão científica de Scully. O ponto de vista da série era essencialmente o da agente Scully, o contraponto científico à crença no sobrenatural do agente Mulder. A abordagem sóbria de Scully era responsável por trazer o equilíbrio aos episódios que exploravam temas sobrenaturais dos mais variados e, mesmo aqueles em que o aspecto paranormal e fantástico era mais relevante, era a visão científica de Scully que dava um aspecto plausível a situações à primeira vista impossíveis de serem aceitas pela lógica.

Foi a partir da ciência de Scully que nasceu a ficção científica que víamos em “Arquivo X”. Sem a visão racional da personagem, muitas histórias de “Arquivo X” teriam resvalado na vala comum dos seriados sobrenaturais que viriam depois, como “Roswell”, “Dark Skies” e até “Buffy, a Caça-Vampiros”. Scully acreditava que todas as forças, criaturas e aparições que Mulder atirava sobre ela a cada semana poderiam ser explicadas cientificamente. Se não imediatamente, em algum momento durante as investigações dos dois agentes. A fé de Scully no processo empírico era igual à fé de Mulder no fantástico. A grande sacada de “Arquivo X” foi que, embora o seriado fosse visto através do olhar racional de Scully enquanto acompanhava Mulder nas investigações, realizava testes e autópsias e escrevia uma infinidade de relatórios – em sua maioria inconclusivos -, ficava mais do que evidente que ela raramente tinha razão. A ciência de Scully não estava à altura das maravilhas do Universo. Pelo menos, não à altura das maravilhas que estavam escondidas na gaveta “X” do ficheiro de Mulder.

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Apesar dos esforços de Scully, ela não conseguia traduzir a busca de Mulder pela verdade em fatos científicos não porque ela estivesse errada, mas porque quase sempre lhe faltavam boas explicações. A cada semana, Scully e seus métodos raramente conseguiam apagar o sorriso vitorioso de Mulder no final de cada episódio. “Você me pediu uma explicação, Mulder. Esta é a única que eu tenho”, respondeu a agente no episódio “Esquizogenia”, da quinta temporada. Por sua vez, Mulder acreditava na existência de vida extraterrestre e na conspiração governamental para manter essa informação em segredo. Ele acreditava em vampiros porque chegou a se envolver com uma no bizarro episódio “A Trindade”, da primeira temporada. Mas também acreditava em fantasmas, clarividência, telecinesia, reencarnação, projeção astral, lobisomens e vermes humanos. O que Mulder precisava eram não apenas provas de que tudo isso realmente existia mas sim de pistas que o levassem até aquilo que foi compreendido como o Santo Graal de sua cruzada individual: o paradeiro de sua irmã Samantha, levada por alienígenas durante a sua infância.

Nesse aspecto, durante a quarta temporada, a busca de Mulder pela verdade acabou se tornando em parte também a busca de Scully quando, após a sua abdução no passado, ela desenvolveu um tipo raro de câncer não diagnosticado. Ao descobrir que a ciência que ela tanto venerava, mais uma vez iria falhar, nada mais restou à Scully do que penetrar cada vez mais naquele labirinto de conspirações e mistérios que Mulder buscava desvendar, na esperança de encontrarem no final da jornada as respostas desejadas: o paradeiro de Samantha que se tornou uma obsessão para Mulder e para Scully a cura que ela tanto precisava.

Os produtores decidiram dar o câncer à Scully acreditando que isso ampliaria as discussões do programa sobre fé, ciência e os elementos sobrenaturais de “Arquivo X”. A princípio, a equipe de roteiristas viu a ideia como um recurso barato de explorar a audiência da série, mas o produtor e roteirista Frank Spotnitz concluiu que dado o drama das outras mulheres abduzidas e que ficaram doentes, o câncer de Scully era o caminho mais lógico a seguir. 

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Acreditando na Mentira

Dando sequência aos acontecimentos mostrados em “O Milagre”, a quarta temporada de “Arquivo X” estreou em 4 de outubro de 1996, com o episódio “Procura Incessante” (Harrenvolk). Guiado por Jeremiah Smith (Roy Thinnes), Mulder descobre uma fazenda canadense onde estão vários clones, inclusive de sua irmã Samantha com a idade de quando ela foi abduzida. Uma experiência do governo planejava usar abelhas geneticamente modificadas como hospedeiras do vírus alienígena e assim deflagrar o processo de colonização pelo planeta. Fundamental para os rumos da mitologia durante a quarta temporada, este episódio terminava com Mulder novamente sem provas – o Caçador de Recompensas eliminou todos os clones e destruiu a fazenda. Em uma decisão tomada ainda no final da temporada anterior, os produtores decidiram assassinar o Sr. X (interpretado por Steven Williams). Ao descobrir que X era um agente duplo, o Canceroso criou uma armadilha para ele no apartamento de Mulder. “Procura Incessante” foi o primeiro episódio da temporada a ter o lema “A Verdade Está lá Fora” substituído por outro: “Tudo Morre” (Everything Dies).

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A temporada marcou também o retorno de Glen Morgan e James Wong à criação de roteiros da série. Aambos haviam se desligado de “Arquivo X” para atuarem em uma série sci-fi produzida por eles chamada “Comando Espacial” (Space: Above and Beyond), cancelada durante a primeira temporada. “Arquivo X” reunia agora um verdadeiro time dos sonhos de roteiristas que incluía Frank Spotnitz, Howard Gordon, Vince Gilligan e John Shiban. Como resultado, a quarta temporada foi a mais variada em temas, a que teve os episódios com as melhores histórias já escritas, episódios com um embasamento científico ainda maior e desdobramentos na mitologia que conduziram os agentes a novas situações e mistérios. A principal de todas, o câncer de Scully, descoberto por ela no episódio “Lembranças Finais” (Memento Mori).

A morte do Sr. X (Steven Williams) logo no início da quarta temporada surpreendeu os fãs. Os roteiristas quiseram fazer com que X tivesse uma saída honrosa e criaram a cena em que ele se arrasta e com o próprio sangue desenha no chão as iniciais “SRSG” (de Special Representative of the Secretary General of the United Nations) para que Mulder entrasse em contato com sua nova informante, a Secretária das Nações Unidas Marita Covarrubias (Laurie Holden).

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Um dos episódios mais curiosos do ano foi “Meditações Sobre o Canceroso” (Musings of a Cigarette Smoking man), escrito por Glen Morgan e o primeiro dirigido por seu parceiro James Wong, que traz de volta os Pistoleiros Solitários, agora ameaçados de morte por terem descoberto a identidade do Canceroso. Em uma narração em flashback, vemos o personagem mais jovem atuando nos bastidores de fatos históricos e provavelmente sendo o responsável por acontecimentos que vão desde o assassinato de Martin Luther King e de John F. Kennedy a derrotas de times de futebol americano. Curiosamente, o personagem quando jovem foi interpretado pelo ator Chris Owens que no ano seguinte interpretaria o agente Jeffrey Spender, filho do Canceroso. Owens contou que precisou estudar várias cenas de William B. Davis para assimilar corretamente o modo misterioso como seu personagem fumava.

Williams B. Davis ficou muito contente quando seu personagem ganhou um episódio inteiramente seu. Em um prédio abandonado, o Canceroso escuta a conversa dos Pistoleiros Solitários que explicam aos agentes o que descobriram sobre ele. Um dos grandes desafios dos produtores foi a cena da reconstituição do assassinato do presidente Kennedy. A equipe contatou a figurinista do filme “JFK” para ajudar na recriação do vestido usado pela Primeira Dama naquele dia.

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A mitologia prosseguiu nos episódios duplos de “Tunguska, a Pedra da Morte” (“Tunguska” e “Terma”), que voltou a abordar o óleo negro alienígena, trouxe Alex Krycek de volta e agora em busca de vingança contra o Canceroso que o traiu e uma trama complexa que expõe a relação entre a inoculação do vírus da varíola com os testes genéticos feitos pelo governo na população próxima à uma prisão russa na tentativa de se criar uma vacina contra o óleo negro. Enquanto Scully enfrenta um Comitê do Senado que investiga as atividades de seu parceiro, Mulder consegue fugir da prisão depois de ser exposto ao óleo negro mas Krycek é capturado pelos moradores do local que, para fugir dos testes, amputam o braço esquerdo e fazem o mesmo com ele. O episódio baseou-se em um acontecimento real: a queda de um meteoro em Tunguska, antiga URSS, em 1908.

O ator Nicholas Lea precisou de um consultor de russo para garantir que seria capaz de repetir corretamente as falas de seu personagem em “Tunguska, a Pedra da Morte”. A segunda parte, “Terma” foi mais um episódio a ter o lema de abertura trocado. No lugar de “A Verdade Está lá Fora”, se lê “E Pur si Muove”, uma referência à investigação das teorias de Galileu Galilei pela Inquisição Romana quando foi obrigado a negar a teoria heliocêntrica.

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Max Fenig (interpretado pelo ator Scott Bellis), o membro da NICAP, organização civil de investigação de fenômenos extraterrestres, desaparecido desde o episódio “Caçada Sangrenta” da primeira temporada, retornou no episódio duplo “Lapso de Tempo” (“Tempus Fugit” e “Max”). Max morreu quando o avião em que viajava transportando provas de que o governo norte-americano estava trabalhando com tecnologia alienígena foi interceptado por aviões militares e caiu durante uma tentativa de abdução por uma nave alienígena que também foi abatida. Outro episódio importante da mitologia foi “Não Restou Mais Nada” (Zero Sum), uma aventura-solo do diretor assistente Skinner que em troca de um acordo com o Canceroso para conseguir uma cura para o câncer de Scully se vê obrigado a destruir as provas de uma investigação de Mulder sobre o uso de abelhas para disseminar o vírus alienígena na população dos Estados Unidos.

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A ideia do câncer de Scully foi de Frank Spotnitz, que co-escreveu os roteiros de “Os Japoneses” e “O Falso Alienígena”, que abordavam a abdução da agente e a eventual remoção do chip implantado em sua nuca, causa direta do seu adoecimento. “Nós deixamos passar algum tempo porque não tínhamos absoluta certeza sobre esse passo”, afirmou Spotnitz, que também era um dos produtores da série. O primeiro alerta de que Scully estaria com câncer veio no final do episódio “O Homem do Câncer” (Leonard Betts”), no qual um mutante que trabalha como enfermeiro tem uma incrível capacidade de regeneração, sobrevivendo a um acidente em que teve a cabeça decepada. “Você tem algo que eu preciso”, diz ele ao atacar Scully. “Quando John Shiban, Vince Gilligan e eu começamos a trabalhar no roteiro do episódio O Homem do Câncer decidimos que o personagem iria, na verdade, ser beneficiado pela enfermidade em vez de consumido por ela. Leonard possuía a habilidade de consertar seu corpo com partes de outras pessoas que estivessem doentes de câncer”, explicou Spotnitz.

O câncer de Scully se tornou o principal assunto da temporada, percorrendo diversos episódios enquanto a saúde dela ia se deteriorando. Ao mesmo tempo em que criava nos fãs a expectativa do que iria acontecer com a agente no final da temporada, o público acompanhava o desespero de seu parceiro, que assumiu desde o início a culpa pelo que aconteceu com ela durante a sua abdução e agora iria sofrer com um câncer que, não podendo ser diagnosticado, não poderia ser tratado. Em “Lembranças Finais”, Mulder pede ajuda aos Pistoleiros em suas investigações sobre os testes a que foram submetidas todas as mulheres abduzidas e que morreram ou estão morrendo de câncer e até cogita em uma conversa com o diretor Skinner tentar um acordo com o Canceroso pela vida de Scully. “Você não pode comprar a verdade de alguém que está vendendo mentiras. Encontre outro meio”, retruca  Skinner.

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Em “Elegia” (Elegy), episódio de inspiração fúnebre, um homem com problemas mentais tem visões dos espíritos de algumas jovens assassinadas próximo ao sanatório onde ele vive, e Scully, emocionalmente e fisicamente abalada pela doença, também tem uma dessas visões com uma das moças assassinadas. “Por que não me contou?” pergunta Mulder. “Porque eu não queria acreditar”, responde ela, o que deixa seu parceiro profundamente irritado: “Você pode acreditar no que quiser, mas não pode esconder a verdade de mim. Se o fizer, estará trabalhando contra mim e contra você mesma”. Ao se afastar e entrar no carro, Scully tem uma crise de choro. Os roteiristas começavam a trabalhar as mudanças que a personagem sofreria a partir da quinta temporada, quando Scully se tornaria mais aberta aos fenômenos paranormais.

No episódio “O Campo Onde Morri”, escrito por Glen Morgan e James Wong,  Mulder conhece Melissa (Kristen Clocke, do extinto seriado “Comando Espacial”), integrante de uma seita de fanáticos que afirmava que o conhecia de suas vidas passadas. O agente decide ele mesmo se submeter à regressão hipnótica e descobre que a história da moça não só era verdadeira, como descobriu que além dela, Scully e o Canceroso também fizeram parte de suas vidas passadas.

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Episódios isolados trataram de temas curiosos que mostravam Mulder descobrindo uma de suas vidas passadas em “O Campo Onde Morri” (The Field Where I Died) ou revivendo seu drama pessoal quando um assassino de crianças tentava manipular suas emoções afirmando ter sequestrado e assassinado sua irmã Samantha em “Corações de Pano” (Paper Hearts), além de episódios envolvendo um Golem (monstro da tradição judaica) em “Oração para um Morto” (Kaddish) e uma família mutantes incestuosos e deformados que iniciavam uma onda de assassinatos em “O Lar” (Home). No episódio “Demônios” (Demons), Mulder se submetia a um tratamento mental para resgatar lembranças do passado envolvendo Samantha, mas que lhe causou amnésia e o tornou o principal suspeito de dois assassinatos. Chris Owens, que já havia interpretado o Canceroso quando jovem em “Meditações Sobre o Canceroso”, reaparece novamente na pele do personagem durante uma cena de flashback onde Mulder tinha uma breve lembrança do seu passado.

Scully faz uma tatuagem no episódio “Nunca Mais”. Ela escolhe o símbolo do urobóros, a serpente que tenta engolir a própria cauda, em uma alusão à vida da agente, presa à um círculo vicioso. A serpente em questão também foi usada como símbolo do grupo Millennium no seriado criador por Chris Carter. O episódio representou uma folga para David Duchovny, que aproveitou as poucas cenas de Mulder para tirar um merecido descanso em meio à maratona de gravações da série.

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A temporada marcou ainda um episódio em que Scully foi sequestrada por um assassino perturbado em “Inquietação” (Unruhe) e uma aventura-solo dela em “Nunca Mais” (Never Again) onde a agente se envolvia amorosamente com um sujeito com estranhas alucinações provocadas por uma tatuagem de mulher em seu braço. Chamada Betsy (e cuja voz foi dublada pela atriz Jodie Foster), a tatuagem não só mudava de expressão, mas sentia ciúmes de Scully e dava ordens para ele cometer assassinatos. Episódios de humor estiveram presentes em “O Mundo Gira” (El Mundo Gira), em que os agentes perseguem um chupa-cabra mexicano em um assentamento de imigrantes na Califórnia, e “Insignificâncias” (Small Potatoes), onde o roteirista Darin Morgan (que já havia atuado na série como o monstrengo Flukeman, em “O Hospedeiro”) vivia um mutante capaz de assumir a aparência de qualquer pessoa. Ele usou essa habilidade para livrar-se de Mulder, assumir sua identidade e partir para conquistar sexualmente sua parceira.

A quarta temporada terminou na noite de 18 de maio de 1997, com “A Maior das Mentiras” (Gethsemane), o primeiro episódio de uma trilogia decisiva para Mulder em sua busca pela verdade e para Scully, cuja doença entrava em estágio terminal: a descoberta de restos congelados na neve de uma possível entidade extraterrestre. Aceitando as palavras do agente do governo Michael Kritschgau (John Finn) de que tudo em que sempre acreditou nunca passou de uma grande mentira e que o câncer de Scully foi mais uma mentira criada pelos conspiradores para fazê-lo acreditar, e sentindo-se culpado pelo drama de Scully, Mulder aparentemente cometia suicídio ao final do episódio. O título original, “Gethsemane”, é uma referência ao jardim bíblico onde Jesus Cristo foi traído por Judas.

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“Acreditando na Mentira” (Believe the Lie) substituiu “A Verdade Está lá Fora” na sequência de abertura e o episódio terminava sem o famoso “To be continued”, o que deixou os fãs ainda mais atormentados. Com uma narrativa em flashback, “A Maior das Mentiras” abria com Scully chegando para identificar um corpo encontrado no apartamento de Mulder, e confirmando morte de seu parceiro com um tiro auto-infligido. O chefe de seção Scott Blevins (Charles Cioffi), responsável por recrutar Scully para trabalhar nos Arquivos X no episódio Piloto e que não era visto desde “Elo de Ligação”, da primeira temporada, reaparecia neste episódio recebendo os relatórios finais da agente sobre tudo o que ela conseguiu coletar durante os anos em que esteve atuando junto com Mulder nos Arquivos X. Filmado uma semana antes do casamento de David Duchovny com a atriz Téa Leoni, o corte final ficou 12 minutos além do tempo limite de exibição, obrigando a remoção de praticamente toda a sequencia na montanha gelada. Chris Carter, que escreveu o episódio, precisou reeditá-lo por completo dois dias antes de sua exibição.

“Lembranças Finais” faria a introdução do irmão mais velho de Scully, Bill Jr., vivido pelo ator Pat Skipper, mas como o corte inicial ficou muito longo, a cena em que ele aparece foi cortada. O personagem acabou retornando em uma cena parecida no final da temporada, no episódio “A Maior das Mentiras”. Outra cena cortada foi a do primeiro beijo entre Mulder e Scully, que acabou sendo adiado para o episódio “Triângulo”, da sexta temporada.

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Continua no próximo post…

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