20 Anos de Arquivo X – Final

Posted: September 18, 2013 in tudo o que eu amo
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Para ler a Parte 10, clique aqui. Se você quiser baixar uma versão em documento de texto (Word) contendo todos os posts deste especial, ele está disponível no link a seguir: 20 anos de Arquivo X (Tamanho do arquivo 9 mb).

Tudo morre

“Arquivo X” foi a prova definitiva de que aquele raio que não cai duas vezes no mesmo lugar. Chris Carter tentou por três vezes lançar novos programas de TV nos moldes de “Arquivo X” e falhou em todas. “Millennium”, considerado até mais pessimista e sombrio do que “Arquivo X”, ainda conseguiu sobreviver por três temporadas completas mesmo com índices de audiência terrivelmente baixos, muito graças à insistência de seu criador, que remanejou parte da equipe de “Arquivo X” para ajudar na produção da série, entre eles os roteiristas Glen Morgan e James Wong. Para piorar, a série de Carter sobre realidade virtual “Harsh Realm”, criada por ele em 1999, foi cancelada logo após a sua estreia, e teve apenas três episódios produzidos. O spin off com os Pistoleiros Solitários (The Lone Gunmen, de 2001), produzido paralelamente à nona temporada de “Arquivo X”, acabou sendo um terrível engano, pois durou apenas 12 episódios. Tanto Carter quanto a Fox superestimaram o apelo desses personagens junto ao público. Quando eram colocados a serviço dos agentes Mulder e Scully em participações rápidas e divertidas, eles criavam um contraponto de humor que ajudava a equilibrar os momentos de maior tensão dos episódios. Mas isso não se repetiu quando precisaram atuar durante uma hora inteira. Tudo isso contribuiu para a impressão de que Chris Carter era o produtor de um único sucesso. E que sucesso.

O criador de “Arquivo X”, Chris Carter, tentou introduzir o conceito de que os personagens poderiam mudar, mas a mitologia manteria o seriado funcionando. Para fazer parceria com John Doggett (Robert Patrick), uma nova personagem foi introduzida durante a oitava temporada da série, a agente Monica Reyes (Annabeth Gish), com Scully aparecendo ocasionalmente para ajudar nas investigações por conta de sua experiência nos Arquivos X e de seu enorme conhecimento médico e científico.

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Apesar de todos os problemas surgidos nas últimas duas temporadas – brigas por salários, processos judiciais, mudanças de elenco e episódios irregulares – “Arquivo X” continuava um dos líderes de audiência entre os programas de horário nobre. Para alegria dos “shippers”, os fãs que torciam por um romance entre Mulder e Scully, a oitava temporada terminou com o nascimento do bebê de Scully e o terceiro beijo da série entre o casal de agentes. Se o bebê recebeu o nome de William por ser filho de Mulder, seja por inseminação artificial ou por um caso entre os agentes, ou se foi apenas uma homenagem, não importava mais. A nona temporada seria marcada pelo afastamento definitivo de David Duchovny e participações menores de Gillian Anderson, que foi transformada em uma espécie de atriz convidada de sua própria série. A fórmula inicial de “Arquivo X” mais uma vez se repetia, com o agente Doggett, um cético convicto, fornecendo o contraponto racional aos casos que ele a a agente Reyes, especializada em ocultismo e crédula em paranormalidade, investigavam.

O elenco fixo de “Arquivo X” durante o seu último ano de vida: Gillian Anderson (Agente Especial Dana Scully), Robert Patrick (Agente Especial John Doggett), Annabeth Gish (Agente Especial Monica Reyes), Mitch Pileggi (Diretor Assistente Walter Skinner), James Pickens Jr. (Vice-Diretor Alvin Kersh) e Cary Elwes (Diretor Assistente Brad Follmer), introduzido a partir do primeiro episódio da nona temporada. Segundo os roteiristas da série, Follmer era um ex-namorado da agente Reyes e foi criado para ser uma espécie de antagonista de Doggett e prejudicar as relações entre os dois.

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A audiência, que vinha caindo desde as três últimas temporadas, continuou seu caminho para baixo e a produção anunciou que a nona temporada seria de fato a última temporada de “Arquivo X”. Além disso, como não havia muito mais o que contar em termos de mitologia, a nona temporada ficou batendo nas mesmas teclas envolvendo a criação dos super soldados com DNA alienígena e o bebê de Scully que sempre aparecia alguém tentando matar, entre um ou outro episódio isolado mais interessante e capaz de despertar os fãs do tédio que se instaurou dentro da série. Para piorar, a ideia de outras pessoas trabalhando nos Arquivos X jamais foi aceita completamente pelos fãs, mesmo com o carisma e o talento de Robert Patrick e Annabeth Gish, e com Gillian Anderson e Mitch Pillegi dando uma forcinha na maioria das histórias. “Arquivo X” perdeu a credibilidade e encerrou sua vida na telinha com um episódio final em duas partes, “A Verdade”, que conseguiu pelo menos uma proeza: trazer David Duchovny de volta para encerrar a jornada de Mulder e Scully.

Nada importante aconteceu hoje

Desde o início dos trabalhos de pré-produção, a nona temporada já vinha despertando a curiosidade do público por conta da anunciada  participação especial da atriz Lucy Lawless, a estrela do seriado “Xena, a Princesa Guerreira” no episódio duplo “Nada Importante Aconteceu Hoje” (Nothing Important Happening Today) que abriu a temporada e foi ao ar na noite de 11 de novembro de 2001. O episódio mostrou uma abertura totalmente nova, com Gillian Anderson encabeçando o elenco, seguida de Robert Patrick, Annabeth Gish e Mitch Pileggi, que finalmente ganhou status de protagonista após nove anos de dedicação à série:

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A temporada que iria girar basicamente em torno do tema da conspiração do governo na criação dos super soldados alienígenas, começou com a despedida de Mulder – cuja sombra era vista no chuveiro – e a sua fuga para algum lugar ignorado por questões de segurança que nunca foram esclarecidas. A partir de então, Scully e ele passariam a se comunicar apenas através de emails. O FBI começou a investigar a morte de um agente do departamento de proteção ambiental, Carl Wormus (Nicholas Walker) em um acidente de carro forçado por Shannon McMahon (Lucy Lawless), antiga colega de Doggett dos seus tempos de fuzileiro. O vice-diretor Kersh escalou o diretor assistente Brad Follmer para acompanhar pessoalmente as investigações. Como Follmer, ex-namorado da agente Reyes, insistia que ela se afastasse de Doggett, Reyes percebeu que a missão dele era prejudicar o trabalho de seu parceiro e forçar a saída de Doggett do FBI. Após proteger Dogett e salvar a sua vida, Shannon explicou que ela e o informante de Doggett, Knowle Rohrer (Adam Baldwin), eram dois desses super soldados aparentemente invencíveis criados pelo governo a partir do processo de hibridação que misturou DNA humano com alienígena, dando-lhes força sobre-humana, incrível capacidade de regeneração e a habilidade de sobreviver em qualquer tipo de ambiente.

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As investigações apontaram para uma conspiração militar que planejava lançar um produto químico chamado cloramina, um catalisador de mutações, nos reservatórios de água e provocar uma reação em cadeia na população. Na sequência principal do segundo episódio, as investigações conduziram os agentes a um navio da Marinha norte-americana que servia de base para os testes. Lá, Rohrer tentava matar Doggett esmagando o seu crânio, mas foi decapitado por Shannon. Como ele não morreu, Rohrer atacou Shannon e ambos caíam ao mar. Os agentes conseguiam fugir a tempo do navio, que explodiu, destruindo as provas. No final, confrontado por Doggett, o vice-diretor Kersh justificou suas ações. Foi ainda nesse episódio Scully que descobriu que seu filho William tinha poderes especiais ao perceber que ele conseguia mover objetos sem os tocar, o que a deixou chocada. A frase “Nada importante aconteceu hoje”, que substituiu “A Verdade Está lá Fora” nos créditos de abertura da Parte 2, é uma referência à frase escrita pelo Rei George III da Inglaterra em seu diário no dia 4 de julho de 1776, dia em que os Estados Unidos declararam a sua independência.

A atriz Lucy Lawless nunca foi uma fã declarada da série, mas aceitou o convite para atuar como Shannon McMahon em “Arquivo X” após o cancelamento de sua série “Xena, a Princesa Guerreira”. A personagem estava confirmada para retornar em outros episódios, mas uma gravidez de alto risco da atriz impossibilitou que ela trabalhasse durante todo o período de gestação. Chris Carter reconheceu a forte sensualidade de Lucy e afirmou que foi divertido criar a ideia de um super soldado mulher, algo nunca antes visto na série.

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Scully voltou a lecionar na Academia do FBI em Quântico, enquanto a agente Reyes foi destacada para ajudar John Doggett nos Arquivos X. O primeiro caso oficial dos dois agentes juntos foi investigar uma série de assassinatos em rituais satânicos praticados por fanáticos em “Demônios” (Daemonicus), típico episódio “monstro da semana”, escrito por Frank Spotnitz para estabelecer a nova dinâmica da série, com Doggett e Reyes investigando os Arquivos X, e Scully prestando algum tipo de assessoria, como realizar exames e autópsias. Alguns episódios absolutamente banais se seguiram, como “O Senhor das Moscas” (The Lord of the Flies), “Dias Felizes” (Sunshine Days) e “Audrey Pauley”. Este último mostrava Reyes vivendo uma experiência fora do corpo após um acidente de carro. Presa em um limbo semelhante a um hospital e com a ajuda de uma paciente que podia se comunicar com ela, Reyes lutava para despertar sua consciência e impedir que ela fosse morta para que seus órgãos vitais fossem doados. Annabeth Gish declarou depois que de todos os episódios em que atuou, esse era o seu preferido. “João Ninguém” (John Doe) foi um dos bons episódios-solo de Doggett, que era visto vagando sem memória em uma cidade poeirenta na fronteira com o México, e os esforços de Scully e Reyes para o localizar e descobrirem o que havia acontecido com ele.

Seguindo uma tradição do seriado em apresentar astros da TV e do cinema em participações especiais”, “Improvável” contou com a participação do veterano ator Burt Reynolds. O episódio apresentou ainda outra mudança no lema de abertura de “A Verdade Está lá Fora” para “Dio Ti Ama” (“Deus ama você”, em italiano) e trazia também em italiano os créditos “Producttore Esecutivo: Chris Carter”.

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Digno de ser esquecido foi “Improvável” (improbable), escrito e dirigido pelo próprio Chris Carter envolvendo a caçada de Scully e Reyes a um assassino serial, que as obrigava a exercitar seus poderes de dedução e as colocava diante de um estranho e misterioso jogador de cartas interpretado pelo veterano ator Burt Reynolds. Ex-galã dos anos 70 e início dos anos 80, a carreira de Reynolds havia entrado em decadência após sua participação em fracassos do porte de “Striptease”. Reynolds havia declarado a Robert Patrick o seu interesse de atuar em “Arquivo X”. Fascinado por Numerologia e querendo produzir um episódio inteiramente de humor que desse um alívio em meio à enxurrada de histórias macabras em que seus personagens estiveram sempre sob forte tensão, Carter escalou Reynolds para viver Deus em pessoa e obrigou a equipe de efeitos especiais liderada por Mat Beck a criar uma incrível sequência em que a vista área de uma cidade se transformava em uma imagem em relevo do rosto do ator.

A nona temporada trouxe de volta a agente Leyla Harrison (vista no episódio “Sozinho”, da temporada anterior e interpretada por Jolie Jenkins), uma homenagem dos produtores à Leyla Harrison, uma fã de “Arquivo X” famosa pelas fan fictions que escrevia e que morreu de câncer em fevereiro de 2001. Foi durante a produção de “Monstros Assustadores” (Scary Monsters), o décimo quarto episódio da temporada, que os produtores ficaram sabendo que “Arquivo X” tinha sido cancelado pela Fox, frustrando a expectativa de que a série tivesse uma décima temporada. x-files-11

Outro episódio que ajudou a salvar a temporada foi “Não Confie em Ninguém” (Trust No 1), que resgatou o antigo clima de paranoia da série e apresentou uma trama bastante envolvente que explorou o tema dos super soldados e usou antigas imagens de David Duchovny para mostrar que a vida de Mulder ainda corria perigo, bem como a vida do filho de Scully, William, por conta de suas habilidades especiais. O ator Terry O’Quinn interpretou o misterioso Homem Sombra (Shadow Man), um super soldado infiltrado que tentou localizar Mulder e ganhar a confiança de Scully contando detalhes pessoais, inclusive sobre a primeira vez em que ela e Mulder fizeram amor, e que ela vinha sendo espionada há muito tempo. A sua morte ao ser exposto à magnetita, revelou que esse era o ponto fraco dos super soldados, a única maneira de destrui-los. O’Quinn foi visto no episódio “Aubrey”, da segunda temporada, e viveu um agente do FBI no filme “Resista ao Futuro”. Ele também atuou como Peter Watts em “Millennium” e na fracassada “Harsh Realm”, outras duas séries criadas por Chris Carter. O episódio mostrou uma nova mudança de lema nos créditos de abertura, onde se lia “They’re Watching” (Eles Estão Observando).

Quando os fãs acharam que “Arquivo X” já tinha dado tudo o que podia, o episódio “4-D” trouxe um novo alento à série ao mostrar os agentes investigando um assassino em série chamado Erwin Lukesh, capaz de transitar entre dimensões paralelas e assim escapar das cenas dos crimes. Muito bem escrito por Steven Maeda, apesar de Carter ser contrário à ideia de relacionamentos amorosos escancarados em sua série, o episódio “4-D” (uma referência ao número do apartamento onde vivia Lukesh), mostrava os agentes Doggett e Reyes flertando um com o outro, situação que se repetiria várias vezes ao longo da temporada.

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O ponto de partida para o excelente episódio duplo “Procedência” (“Provenance” e “Providence”) foi a queda de uma espaçonave que foi mantida em sigilo pelo FBI e a descoberta de que um culto de fanáticos por OVNIs liderado por um ex-militar poderia colocar a vida do pequeno William em risco mais uma vez. O episódio explorou detalhes da trilogia “A Sexta Extinção”, da sétima temporada, envolvendo a escrita Navajo inserida nas espaçonaves e um agente do FBI chamado Robert Comer que possuía um outro artefato alienígena e que tentou sequestrar William, sendo impedido e baleado por Scully. O vice-diretor Kersh explicou que Comer estava investigando o culto e as ameaças de morte a Mulder. Os Pistoleiros Solitários foram chamados para proteger William, mas tudo que conseguiram foi permitir que ele fosse sequestrado pela Mulher de Sobretudo.

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A Parte 2 abria com um prólogo mostrando quatro super soldados entrando em ação durante a Guerra do Golfo, na famosa batalha de Al Busayyah, testemunhada pelo líder do culto, o então coronel do exército Zeke Josepho. Na sequência do episódio, víamos Scully buscando desesperadamente pistas do paradeiro de William. Ela descobria que o menino era visto pelos membros do culto como uma espécie de Messias, o salvador da humanidade, baseado em seus poderes e que Mulder precisaria continuar vivo quando isso acontecesse. No final, William sobrevivia milagrosamente e sem ferimentos à explosão da nave alienígena que matou todos os membros do culto. O episódio apresentou um novo personagem, um veterano agente do FBI conhecido como “Toothpick Man” (Alan Dale), responsável pela morte do agente Comer e que revelou ser um dos super soldados alienígenas. O personagem foi criado para substituir o Canceroso no comando do novo Sindicato: trabalhando dentro do FBI, ele controlava a diretoria e também tinha acesso irrestrito à Casa Branca – visto em uma cena que acabou sendo cortada na sala de edição.

Nunca foi confirmado pelos produtores se Mulder era ou não o pai biológico de William. Os fãs trataram de investigar as três temporadas finais em busca de pistas. O reimplante do microchip poderia ter curado a esterilidade de Scully, de uma forma que William poderia ser produto de uma tentativa de inseminação artificial para a qual Mulder tinha sido o doador (essa tentativa, porém, não deu certo, e não se sabe se houveram outras), se foi fruto de uma noite de amor entre os agentes pouco antes de Mulder ter sido abduzido, ou de acordo com o monólogo de Mulder em “Essência”, produto de uma manifestação sobrenatural.

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Agora era oficial: “Arquivo X” tinha chegado ao fim. Chris Carter decidiu amarrar todas as pontas soltas, mas como não havia mais ninguém para matar, ele convocou os Pistoleiros Solitários de volta e matou os três de uma forma absurdamente banal, que surpreendeu os fãs no episódio “Eles Nunca Morrem” (Jump the Shark). Não se sabe se foi por vingança pelo cancelamento da série estrelada por eles ou porque com o cancelamento a Fox não queria que os personagens voltassem ao “Arquivo X”. A morte de Frohike, Byers e Langley fechou o arco do seu seriado que envolvia uma hacker amiga deles chamada Yves Adele Harlow (Zuleikha Robinson), que segundo provas entregues pelo MIB Morris Fletcher (Michael McKean, introduzido em “Arquivo X” no episódio duplo “Terra dos Sonhos) aos agentes Doggett e Reyes, era uma super soldada e estava desaparecida há mais de um ano. Carter decidiu também fechar o arco envolvendo o assassinato até então não solucionado do filho do agente Doggett, Luke, no episódio “Libertação” (Release), no qual o agente reabriu o caso graças à ajuda de um  aluno de Scully na Academia, Rudolph Hayes, brilhante na criação de perfis de assassinos seriais. Hayes conseguiu juntar as pistas do passado com outros crimes ocorridos no presente e embora todas as evidências apontassem para o cadete Hayes, que na verdade era um ex-paciente com problemas mentais chamado Stuart Mimms, o assassino estaria ligado ao chefe do crime organizado, Nicholas Regali, por sua vez ligado ao diretor assistente Brad Follmer.

No episódio “Libertação”, que trata do assassinato do filho do agente Doggett, a ex-esposa dele, Barbara Doggett, foi interpretada por Barbara Patrick, esposa do ator Robert Patrick na vida real. O casal se casou na época das filmagens de “O Exterminador do Futuro 2” e tem um casal de filhos.

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mulder-in-eye-scullyPreparando o caminho para o final de “Arquivo X”, Chris Carter escreveu o roteiro de “William” em colaboração com Frank Spotnitz e David Duchovny, que também dirigiu o episódio, o décimo sexto da temporada, e que marcou a volta de Mulder, visto em uma cena através do seu reflexo no olho de Scully. No episódio, um homem desconhecido e desfigurado invadia a sala dos Arquivos X e acabava sendo preso por Doggett. No interrogatório, o homem dizia que conhecia Mulder e que sofreu uma tentativa fracassada de transformá-lo em um híbrido alienígena. Quando testes de seu DNA dão positivo, Doggett conclui que ele é Mulder, mas na verdade o homem é o ex-agente do FBI, Jeffrey Spender, irmão de Mulder, baleado pelo Canceroso e dado como morto quatro anos atrás. Ele aplica uma injeção de magnetita em William para proteger o menino dos alienígenas e transformá-lo em uma criança normal. Percebendo que não havia como garantir a segurança de William, Scully decidiu entregar o menino a pais adotivos de uma forma que ninguém soubesse da sua localização.

Após o seu desligamento da série durante a sexta temporada, o ator Chris Owens mudou-se para Toronto, no Canadá. Anos depois, ele recebeu um telefonema de David Duchovny dizendo que os produtores de “Arquivo X” estavam filmando o final da série e precisavam que seu personagem, o agente Jeffrey Spender, retornasse nos últimos episódios. O episódio “William” explicou que Spender foi salvo da morte graças à uma injeção com o vírus alienígena, mas que a experiência desfigurou completamente o seu rosto.

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“É o fim, você não terá outra chance. Então é melhor você colocar tudo o que você sempre quis colocar no episódio. Havia coisas para nos distrair do que realmente estava acontecendo. A banda estava se separando”, comentou Chris Carter alguns meses antes de o episódio final de “Arquivo X” ser realizado. Para o produtor Frank Spotnitz foi uma sensação estranha escrever os roteiros sabendo que seria a última vez que Scully faria isso ou que Mulder diria aquilo, e que Chris Carter fez o anúncio do fim da série com muita antecedência para que todos pudessem ter tempo de colocar suas mentes em ação para darem aos personagens tudo aquilo que lhes era devido. O episódio final de “Arquivo X” foi preparado como um especial de duas horas. “A Verdade” (The Truth), escrito por Chris Carter e dirigido pelo veterano da série Kim Manners, foi ao ar na noite de 19 de maio de 2002.

Com o episódio duplo “A Verdade”, David Duchovny estava oficialmente de volta à série desde a sua última aparição em “Existência”, episódio final da oitava temporada. Foi também a única vez em que os créditos de abertura de “Arquivo X” traziam os cinco atores principais juntos – David Duchovny, Gillian Anderson, Robert Patrick, Annabeth Gish e Mitch Pileggi. As duas partes de “A Verdade” somam o 201º e o 202º episódios de “Arquivo X”.

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No episódio, Fox Mulder reaparece invadindo uma base militar onde descobria os planos em relação à invasão alienígena, inclusive a data programada da invasão, 22 de dezembro de 2012 (dez anos antes de o calendário maia assombrar o mundo com suas profecias apocalípticas, Chris Carter já havia se antecipado em explorar a data). Durante a tentativa de fuga em que precisou lutar com o super soldado Knowle Rohrer (Adam Baldwin), jogando-o contra cabos de alta tensão, Mulder acabou preso, acusado pela morte de Rohrer por eletrocução. Era tudo o que o FBI e o governo norte-americano queriam para literalmente fritar Mulder, condenando-o à cadeira elétrica. Um tribunal de araque comandado pelo vice-diretor Alvin Kersh foi encarregado do julgamento, com o diretor assistente Skinner assumindo o papel de advogado de defesa e baseando sua tese nas investigações de Mulder a frente dos “Arquivos X”. Na prisão, além do reencontro com Scully, Mulder recebeu a visita de antigos informantes e colaboradores, inclusive os falecidos Garganta Profunda, Sr. X, os Pistoleiros Solitários e Alex Krycek. Jeffrey Spender, Gibson Praise e Marita Covarrubias foram convocados como testemunhas, mas percebendo que tudo não passava de uma farsa, inclusive o falso corpo apresentado como sendo de Rohrer, Kersh decidiu ajudar na fuga de Mulder. Junto com Scully ele tentou obter provas de sua inocência.

A primeira parte do esperado episódio final de “Arquivo X” acabou sendo uma enorme frustração para a maioria dos fãs. Embora todos vibrassem com o retorno de David Duchovny à série, a primeira parte de “A Verdade” se perdeu em um falatório interminável recapitulando nove anos de conspirações e mistérios, e no desfile de assombrações de quem ficou pelo caminho, como uma forma de homenagear todos os atores que participaram da série, entre eles Jerry Hardin, Steven Williams e Nicholas Lea.

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A parte 2 de “A Verdade” tentou colocar a série nos eixos mas o tempo foi curto demais. Nenhuma revelação importante foi feita, nenhum mistério realmente esclarecido. Na fuga, Mulder e Scully vão parar no Novo México e chegam à uma aldeia Anasazi onde procuram por um ancião que pode explicar os documentos secretos que Mulder acessou durante a invasão à base militar, ninguém menos do que o Canceroso, que sobreviveu depois de ser atirado em uma cadeira de rodas do alto de uma escada por Alex Krycek e vive escondido em uma caverna feita de magnetita, capaz de protegê-lo dos super soldados. Quando Doggett e Reyes chegam, encontram Rohrer, cujo corpo é destruído pela ação da magnetita. Mulder e Scully fogem a tempo quando um míssil disparado de um helicóptero mata o Canceroso e destrói seu esconderijo. Escondidos em um quarto de hotel em Roswell, Mulder diz a Scully: “Os mortos não estão perdidos. Eles estão falando conosco como parte de algo muito maior do que nós, maior do que qualquer força alienígena. E se você e eu somos impotentes agora, eu quero acreditar que, se ouvirmos o que eles estão falando, eles podem nos dar o poder de salvar a nós mesmos”. Apesar dessa pequena chance de sucesso, Mulder finaliza: “Talvez haja esperança”.

William B. Davis fez uma aparição surpresa no final de “Arquivo X”, que mostrou seu personagem fumando através de um orifício em sua garganta. O míssil que destrói o seu esconderijo foi feito através de CGI e o efeito que mostrou o Canceroso sendo queimado vivo foi inteiramente criado por animação computadorizada pela equipe de efeitos visuais liderada por Mat Beck.

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Eu quero acreditar

Quando poucos ainda lembravam do seriado e de seus personagens, a Fox e os produtores de “Arquivo X” anunciaram um novo filme que marcaria a volta de David Duchovny e Gillian Anderson aos seus personagens clássicos, mas a trama do segundo filme nada tinha a ver com a mitologia da série. Na história, o súbito desaparecimento da agente Monica Bannan (Xantha Radley) faz com que a agente Dakota Whitney (Amanda Peet) recorra à ajuda do padre Joe (Billy Connolly), um homem que abusou sexualmente de 37 coroinhas no passado e que alega ter visões das vítimas. Para ajudá-la na busca, já que não conta com experiência em acontecimentos fora do comum, a agente Whitney busca o apoio de Fox Mulder (David Duchovny), que não é mais agente do FBI e permanece foragido. O contato é feito através de Dana Scully (Gillian Anderson), que também deixou o FBI e agora trabalha como médica em um hospital católico. Inicialmente relutante, Mulder decide cooperar na busca pela agente federal em troca de anistia, e aos poucos passa a acreditar cada vez mais nas palavras do padre Joe. Além de reunir os personagens, incluindo Skinner (Mitch Pileggi), que aparece apenas para salvar a vida de Mulder, o filme não acrescentou nada de útil à franquia.

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A fraca repercussão – ou se preferir a indiferença dos fãs ao novo filme – parece ter sepultado de vez o interesse dos seus produtores por novos filmes. Pelo menos, é o que parece. Em 2013, a Fox recusou a oferta para um novo filme que poderia trazer de volta os temas principais da mitologia de “Arquivo X” e que dizem respeito à invasão alienígena. Em julho deste ano, um dos eventos da Comic-Com, em San Diego, reuniu David Duchovny e Gillian Anderson, além de diversos outros membros do elenco e da equipe de produção do seriado, em comemoração dos 20 anos de “Arquivo X”, que teve o primeiro episódio exibido nos Estados Unidos em 10 de setembro de 1993.

David Duchovny e Gillian Anderson posam para uma foto durante a Comic-Con, realizada em julho deste ano, em San Diego. Dos vários eventos, da convenção, nenhum foi mais concorrido do que o que comemorou os 20 anos de lançamento de “Arquivo X”.

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Fim?

Comments
  1. junior says:

    perfeita a sessão de Materias,so esqueceram de citar os 3 jogos que a serie ganhou

  2. aline simoes says:

    Olá, por acaso encontrei este site, estava fazendo uma pesquisa para capa de um DVD de Arquivo X, esta de parabéns, esta mto bem esta materia sobre o Arquivo X. Ab.

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